| Problemas de Quadril | |||||||||||||||
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O quadril é a maior articulação do corpo humano, suficiente para suportar o peso do corpo, distribuir os esforços e permitir movimentos aos membros inferiores. Com o passar do tempo ou devido a doenças, lesões ou traumas, as cartilagens articulares perdem suas características e os movimentos que antes eram livres e indolores tornam-se limitados e dolorosos. Acompanhe na entrevista com o Dr Carlos Macedo informações sobre os problemas de quadril, suas causas e tratamentos.
1. Como surgem os problemas de quadril? O problema no quadril é geralmente um problema degenerativo, ou seja, é a estrutura viva que perdeu sua característica inicial. Isto ocorre quando a cartilagem, que é um tecido branco, brilhante, polido e muito resistente que permite, sem atrito, o deslizamento sem dor dos ossos ajustados, começa a sofrer com a falta da fibra elástica. No indivíduo jovem, a cápsula articular, que é rica em fibra elástica e envolve o quadril, absorve as forças determinadas por deformidades não diagnosticadas durante a juventude. Com o passar do tempo, começa a faltar a fibra elástica e o quadril passa a ser mais sobrecarregado e aí surgem as dores e as limitações de movimento. No quadril, os processos degenerativos normalmente estão relacionados a desgaste mecânico, lesões do osso subcondral ou enfermidades inflamatórias crônicas, que podem determinar diferentes graus de comprometimento da função articular. 2. Como é feito o diagnóstico de problemas de quadril? Em todo o diagnóstico, o doente relata sinais e sintomas. Sintoma é todo o sinal subjetivo: a dor. Sinal é a queixa objetiva: limitação funcional, o quadril já não tem toda a amplitude, tem deformidade, o paciente caminha claudicando ou mancando, etc. Mas via de regra, a queixa mais freqüente é a dor, e é assim que inicia-se a investigação de problemas no quadril. A partir de então, o diagnóstico inicial é feito através do exame clínico, onde é detectada a limitação do quadril, que já não tem aquela amplitude de movimento. Durante o exame clínico, um sinal importante é quando o paciente sente dor, ao se fazer os movimentos do quadril. Passa-se então para as radiografias, onde se procura encontrar algum problema que condiga com o que o paciente relatou e com o que foi observado no exame clínico. Às vezes, outros exames são realizados, como ressonância nuclear magnética, tomografia computadorizada ou cintilografia óssea, para esclarecer outras possíveis causas. Mas podemos dizer que o diagnóstico é feito basicamente através do histórico do paciente, do exame clínico e das radiografias. 3. As dores ocorrem especificamente no quadril ou podem ocorrer em outras partes do corpo? A queixa mais comum é dor no quadril ao iniciar um movimento depois do repouso. Mas as manifestações clínicas dos pacientes dependem da extensão do processo degenerativo. A marcha claudicante – onde o indivíduo caminha mancando - é uma manifestação própria do organismo na tentativa natural de diminuir a pressão e a dor sobre o quadril doente. A limitação funcional em seus diversos graus pode iniciar por dificuldade no final da amplitude normal dos movimentos de extensão e rotações do quadril. A rigidez articular é a conseqüência final da gradual diminuição dos movimentos determinada pela dor e pela destruição das cartilagens. A evolução natural do processo degenerativo é a piora gradual das condições do paciente. Os sintomas deixam de ser esporádicos e passam a ser constantes, resistentes aos antiinflamatórios e analgésicos, chegando a comprometer o sono. Mas podem sim ocorrer queixas de dores em outros locais, advindas de problemas no quadril. A dor pode, por exemplo, ser referida na coluna lombar, coxa, joelho e “canela”. A limitação pode determinar a impossibilidade de cortar as unhas e fazer a adequada higiene dos pés, bem como a dificuldade de calçar as meias e os sapatos. Caminhar sem algum apoio se torna difícil, aumentando a dependência do uso de bengalas. Com a evolução do problema, o movimento passa a ocorrer osso com osso, o que causa muita dor. 4. Nos casos de dores em outros locais, que não o quadril, pode ocorrer um diagnóstico errôneo? Sim, pode ocorrer. Por exemplo, uma dor na virilha pode levar a uma interpretação de distensão muscular, quando na verdade é um sinal de que o quadril já está sofrendo. Outras vezes, os sinais ocorrem inicialmente no joelho, mas examinando o quadril, verifica-se que o quadril está limitado e que na verdade este é o problema, apesar de as dores terem surgido no joelho. Ocorre com certa freqüência de o paciente sentir dores no joelho ou na coluna e acaba iniciando o tratamento para a coluna ou para o joelho, quando na verdade o que precisa ser tratado é o quadril. É muito importante que o problema de quadril seja diagnosticado logo, pois a dor e a limitação podem piorar e determinar o isolamento voluntário do paciente, com significativo comprometimento da qualidade de vida. 5. Quais as causas dos problemas de quadril? As causas mais freqüentes de lesões degenerativas irreversíveis das cartilagens articulares do quadril são: a) Desgaste - Osteoartrite ou Osteoartrose - que é o desgaste devido ao processo degenerativo, que talvez seja a causa mais freqüente da necessidade de Prótese Total do Quadril. Aqui não há história de trauma prévio e nem um fator predisponente identificado. Alguns indivíduos podem apresentar uma tendência genética à osteoartrite precoce do quadril. b) Doenças - Artrites Crônicas - cujo fator principal não é o desgaste, mas a inflamação da membrana sinovial, que determina demasiada produção de líquido sinovial com danos à cartilagem articular, levando à dor e à rigidez. Como exemplo, a artrite reumatóide e os diversos tipos de artrite auto-imunes. c) Lesão do osso subcondral - Necrose Avascular da Cabeça Femoral - outra causa de deterioração da articulação do quadril, condição em que parte da cabeça femoral é privada de sua irrigação sanguínea. Está relacionada ao alcoolismo, fraturas-luxações do quadril e ao uso prolongado de corticosteróide para tratamento de outras doenças. d) Traumas - Artrite Traumática –conseqüência de lesões traumáticas graves, com danos diretos na cartilagem articular. Com o tempo surgirão dor e rigidez do quadril. As fraturas do colo femoral também podem causar a já referida necrose da cabeça do fêmur. Além disso, distúrbios funcionais da articulação do quadril podem ser decorrentes de alterações anatômicas congênitas, que, associadas e agravadas pela distribuição inadequada das pressões, geram problemas mecânicos. Esses podem ser os principais fatores predisponentes à instalação de processos degenerativos de evolução lenta, com manifestações clínicas em pacientes jovens ativos. 6. Quais os tratamentos possíveis para os problemas de quadril? Temos os tratamentos cirúrgicos e os não cirúrgicos. - Quando as lesões são iniciais, o tratamento não cirúrgico pode ser feito, iniciando-se com algumas medidas como perda de peso (no caso de sobre-peso), redução da atividade física, início de fisioterapia, realização de atividade aquática, uso de analgésicos e anti-inflamatórios, entre outros. Pode-se também utilizar bengalas e muletas para se movimentar. Recomenda-se que estes pacientes evitem carregar peso, subir escadas e ladeiras. - Já no estágio mais avançado da doença, é recomendado o tratamento cirúrgico. A cirurgia pode ser conservadora ou de substituição, dependendo do caso. A osteotomia, por exemplo, que consiste na modificação da posição do fêmur ou da bacia, é uma cirurgia conservadora indicada quando as alterações anatômicas de desgaste mecânico das cartilagens articulares do quadril têm sinais clínicos ainda muito iniciais. Mas, na maioria das vezes a substituição da articulação do quadril por uma prótese – a artroplastia total do quadril – acaba sendo necessária e mais indicada. Este procedimento elimina a dor e devolve a mobilidade da articulação. 7. O que é determinante para que um paciente faça uma cirurgia de Prótese de Quadril? Geralmente, o que define se deve ser feita a artroplastia é o quanto o indivíduo não tolera a dor ou o quanto as limitações do paciente o incomodam. Em alguns casos, por exemplo, a dor pode comprometer o lazer e o sono e, mesmo com as medidas gerais, as dores não aliviam. Nestes casos, a dor e a limitação de movimento comprometem na qualidade de vida do paciente e a cirurgia de prótese de quadril é a opção indicada. A principal razão para protetizar uma articulação deteriorada é acabar com o doloroso contato “osso x osso”. Os resultados são bons em mais de 95% dos casos. A prótese do quadril irá proporcionar movimentos livres e melhora da dor, permitindo ao paciente um retorno precoce às suas atividades, com expressiva melhora na qualidade de vida. 8. Depois do implante da prótese de quadril, a pessoa pode voltar a ter uma vida normal? Em primeiro lugar, é fundamental que sejam respeitados os prazos biológicos da cicatrização. A curto prazo todos os resultados são bons, mas é necessário que também sejam bons a longo prazo. O paciente protetizado pode fazer tudo, com certa moderação. Não se deve utilizar a ausência da dor como um guia para o que o paciente pode ou não pode fazer. Os movimentos livres de dor no novo quadril podem ser prazerosos, mas podem não ser seguros. A tecnologia ainda não conseguiu criar um material sintético com a qualidade da cartilagem. Portanto, O paciente deve continuar evitando atividades que sobrecarreguem a prótese, pois o sucesso e a durabilidade dependem de cuidados. É claro que a Prótese Total do Quadril é um procedimento cirúrgico excelente, pois alivia a dor e devolve o movimento, mas há que se ter cuidado com o desgaste. Próteses que dispensam cuidados e precauções de pacientes ativos são um mito, muito mais a serviço do “convencimento” do que do correto esclarecimento do paciente. 9. Há alguma forma de prevenir problemas de quadril? Tendo em vista que os problemas de quadril geralmente advêm de um processo degenerativo, a prevenção é muito difícil. O que podemos afirmar é que o sobre-peso, o alcoolismo, o tabagismo, o uso de drogas ilícitas e o uso de corticóides por tempo prolongado são fatores de risco evitáveis. Mas mesmo não estando exposto a estes fatores de risco, a pessoa pode vir a ter problemas de quadril, daí a importância do diagnóstico precoce e das medidas gerais para postergar a prótese. Consulte mais informações divulgadas pelo Dr. Macedo sobre problemas de quadril, cirurgias e uso de próteses, acessando www.cirurgiadequadril.com.br. |
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